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Paciente encontra larvas em ferida na perna enquanto aguarda por cirurgia no Hospital da Restauração

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24 de Agosto de 2026 às 21:01
8 min de leitura
Paciente encontra larvas em ferida na perna enquanto aguarda por cirurgia no Hospital da Restauração

Paciente encontra larvas em ferida na perna enquanto aguarda por cirurgia Um homem de 38 anos, internado no Hospital da Restauração (HR), no Derby, na área central do Recife, encontrou larvas de moscas, conhecidas popularmente como "tapurus", dentro de uma ferida na perna esquerda. A ferida fica no entorno do fixador externo circular, como é chamado tecnicamente o aparelho de Ilizarov, estrutura metálica usada para estabilizar fraturas complexas. Ele foi internado na unidade pela quarta vez em 13 de agosto, para aguardar uma cirurgia que, até esta segunda-feira (24), ainda não tem previsão para acontecer. O operador de telemarketing Daniel Marinho Guedes foi atropelado em março e sofreu fraturas nas duas pernas e num dos ombros. Na perna esquerda, foram sete fraturas. Meses depois, os médicos identificaram uma osteomielite, uma infecção que atinge o osso, motivo pelo qual ele precisa passar por cirurgia (entenda melhor mais abaixo). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Ao g1, o paciente afirmou que as larvas foram encontradas dentro da ferida no dia 16 de agosto, durante a troca do curativo. Segundo ele, cinco foram retiradas naquele dia e outras duas foram encontradas no dia seguinte. Daniel recebeu, posteriormente, medicamento para combater as larvas. A presença das larvas e a infecção no osso são problemas diferentes. Segundo especialistas ouvidos pelo g1, a osteomielite não provoca o aparecimento de larvas. Elas podem surgir quando moscas depositam ovos em uma ferida aberta, principalmente quando há exposição da lesão e condições inadequadas de higiene. Também não é possível afirmar que moscas tiveram contato com a ferida de Daniel no Hospital da Restauração, ou em um momento anterior à internação mais recente. Daniel afirma que aguarda uma cirurgia desde o dia 14 de agosto. O procedimento indicado por um médico tem como objetivo retirar uma amostra do osso para identificar a bactéria responsável pela infecção no osso e, assim, definir um tratamento mais específico. O que aconteceu com o paciente Daniel foi atropelado na Avenida Pan Nordestina, em Olinda, no dia 22 de março. Além de fraturar um ombro, ele teve as duas pernas quebradas; a perna esquerda sofreu sete fraturas. A direita teve outras quatro; no dia do acidente, ele foi levado pela primeira vez ao Hospital da Restauração, onde passou por um procedimento para colocar fixadores nos ossos das pernas; cerca de dois meses depois, passou por uma nova cirurgia; nas duas pernas, foram colocados aparelhos conhecidos popularmente como "gaiolas". O nome médico é fixador externo circular de Ilizarov, uma estrutura metálica usada para estabilizar fraturas complexas. no início de junho, Daniel recebeu alta. Idas e vindas ao hospital Daniel Marinho Guedes encontrou larvas em ferida aguardando por cirurgia no Hospital da Restauração Reprodução/WhatsApp No dia 2 de julho, ele retornou ao Hospital da Restauração por causa de um sangramento na perna esquerda. Foi nessa ocasião que os médicos identificaram uma osteomielite aguda na tíbia. A tíbia é um dos ossos da parte inferior da perna. A osteomielite é uma infecção que pode acontecer quando bactérias chegam ao osso, segundo uma médica consultada pelo g1. No caso de Daniel, a fratura exposta aumentou o risco de contaminação porque deixou o osso em contato com o ambiente externo. Daniel recebeu alta novamente no dia 22 de julho. Quatro dias depois, em 26 de julho, ele precisou ser levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá, na Zona Oeste do Recife. De lá, foi encaminhado novamente ao Hospital da Restauração. "Fiquei horas no corredor, sem comer, sem trocar os curativos, e sem receber a medicação que eu precisava", disse. Cinco dias depois, na noite do dia 27, recebeu alta novamente. Daniel voltou ao Hospital da Restauração na madrugada de 13 de agosto, depois de passar pela UPA de Cruz de Rebouças, em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife. Dessa vez, segundo ele, um médico plantonista indicou a realização de uma nova cirurgia. O objetivo é fazer uma coleta de material do osso, que será analisado para tentar identificar qual bactéria está causando a infecção. Com essa informação, os médicos podem escolher um tratamento mais direcionado. Daniel afirma que aguarda o procedimento desde o dia 14 de agosto. Após entrar e sair do hospital várias vezes, sem uma solução efetiva, ele teme que a demora possa ter um custo alto. "Vivo com o perigo iminente de uma amputação da minha perna esquerda", contou. Larvas na ferida Antes de voltar ao Hospital da Restauração, Daniel estava em uma clínica particular em Camaragibe, também na Região Metropolitana. Segundo ele, o curativo era trocado diariamente no local. No dia 13 de agosto, já no HR, ele afirma que não teve o curativo trocado. Entretanto, a partir do dia seguinte, segundo o paciente, as trocas passaram a ser feitas diariamente. No domingo, 16 de agosto, durante uma troca, uma larva apareceu presa à gaze retirada da perna. De acordo com Daniel, a equipe fez uma limpeza na ferida e encontrou outras cinco larvas no local. No dia seguinte, mais duas foram encontradas. O paciente filmou parte do procedimento e enviou as imagens ao g1. A partir de 17 de agosto, Daniel passou a receber medicação para combater as larvas. No mesmo dia, a família dele formalizou denúncias à Ouvidoria do Hospital da Restauração e ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Nelas, os parentes afirmam que Daniel já fez uma solicitação formal para que ele seja transferido para outra unidade, mas permanece sem atendimento adequado no corredor. Também pede a abertura formal de um procedimento para apurar o caso. O que causa a proliferação de tapurus? O estomaterapeuta Jabiael Carneiro da Silva Filho, professor do Departamento de Enfermagem da Universidade de Pernambuco (UPE), explicou que os chamados tapurus são larvas de moscas. Segundo o especialista, a manutenção adequada dos curativos e da higiene da ferida é importante para reduzir esse risco. "Algumas moscas, não são todas as espécies, depositam ovos na pele, e consequentemente na lesão. E aí tem o desenvolvimento das larvas, os chamados tapurus. Está relacionado à higiene, à manutenção da ferida exposta. Quando uma mosca pousa, pode ou não depositar os ovos", explicou. Isso, porém, não significa que a presença de larvas prove que houve falha no atendimento hospitalar, já que casos como estes podem acontecer também quando os pacientes estão em suas casas. Segundo ele, demoras nas trocas de curativos podem ter contribuído para o surgimento dos tapurus, mas outras causas também devem ser levadas em conta. "Pode estar relacionado a isso, mas não necessariamente. Por exemplo, se eu faço um curativo que precisa de troca a cada 24h, e ele tem uma troca mais longa, pode contribuir, porque vai gerar microrganismos ali. Mas normalmente está relacionado à falta de higiene e à ferida exposta. O que pode, ou não, acontecer no hospital", disse. Segundo ele, pessoas que tiveram uma fratura no osso podem ser acompanhadas de casa ou do hospital. Tudo vai depender do tipo de fratura e da evolução do paciente. Fatores como comorbidades, alimentação e idade também podem influenciar no tempo da cicatrização. Infecção no osso Em entrevista ao g1, a médica Giselly Veríssimo, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) em Pernambuco, explicou que a osteomielite é uma infecção profunda que pode atingir o osso devido a uma fratura exposta. "Quando você tem essa comunicação do osso com o ambiente externo, tem esse risco de desenvolver, porque pode ter entrado uma bactéria. Quanto mais grave a fratura exposta, maior a chance de desenvolver uma osteomielite. Mesmo fazendo o tratamento e a limpeza, há sempre esse risco", afirmou a ortopedista. Segundo a médica, a causa mais comum da infecção é a bacteriana. E o tratamento depende do uso de antibióticos e de que a fratura não fique exposta, para que o osso não tenha mais contato com o ambiente. A especialista conta que, em alguns casos, é necessário que o paciente passe por uma cirurgia, que colete parte do tecido ósseo, para identificar o tipo de bactéria e determinar o melhor medicamento para enfrentá-la. "São poucos antibióticos que conseguem atravessar todas as barreiras e chegar no osso. Por isso, às vezes, o paciente precisa ficar internado. Em alguns casos, pode ser necessário medicamento intravenoso", disse a médica. De acordo com a ortopedista, a infecção no osso, por si só, não resulta no aparecimento de larvas. "Essa larva pode aparecer em pacientes que estão acamados há muito tempo, que estão com a ferida exposta, aberta. Não precisa ter infecção do osso para aparecer a larva, não. É só estar com uma feridinha aberta", afirmou a médica. O que diz o hospital? Em nota, o Hospital da Restauração afirmou que: o paciente está recebendo assistência adequada e vem sendo acompanhado por uma equipe multiprofissional; as decisões cirúrgicas e o intervalo entre os procedimentos seguem rigorosamente os protocolos assistenciais e critérios médicos; a continuidade do tratamento depende também da adesão do paciente ao acompanhamento e às orientações da equipe assistencial, não sendo possível atribuir a demora exclusivamente à unidade hospitalar; a situação do paciente e a programação do procedimento estão sendo acompanhadas pelas equipes responsáveis. O g1 também perguntou, mas o hospital não respondeu: como e com que frequência é feita a higienização da ferida do paciente; se foi adotado algum procedimento para determinar se a contaminação do ferimento aconteceu dentro da unidade de saúde; por que o paciente ficou no corredor, no dia 27 de julho, sem comida, sem trocar os curativos e sem receber a medicação necessária. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
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